segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Polícia Civil combate esquadrões da morte e milícias em São Gonçalo

Cabo da Polícia Militar foi preso por determinação da juíza Patrícia Acioli, Ela investigava as milícias e foi morta com 21 tiros.
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A Polícia Civil do Rio está cumprindo mandados de prisão expedidos pela juíza Patrícia Acioli, que foi assassinada a tiros em 12 de agosto, quando chegava em casa, em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói. De acordo com a Divisão de Homicídios (DH), que investiga o crime, Patrícia Acioli sofreu uma emboscada e foi atingida por 21 tiros. A polícia mantém em sigilo as investigações do crime.
O "Fantástico" acompanhou a prisão do cabo da Polícia Militar Alexsandro Lopes, conhecido como Zumbi, em São Gonçalo, no Rio. Ele foi preso por determinação da juíza Patrícia Acioli e faz parte de um grupo que pratica a chamada "clínica geral", que consiste em sequestro, extorsão e mortes.
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Em São Gonçalo, milícias e esquadrões da morte sequestram e matam traficantes. Em muitos casos, a própria família tem que se cotizar para pagar o resgate, mas só recebe o corpo. Policiais de grupos de extermínio alegam que matam porque o suposto bandido reage. É o chamado "auto de resistência", um direito de defesa do policial.
O trabalho da juíza Patrícia Acioli era investigar casos em que o auto de resistência parecia suspeito. Poucas horas antes de morrer, Patrícia Acioli estudou o inquérito sobre a morte de um rapaz de 18 anos, baleado em suposto auto de resistência, em São Gonçalo. Das oito prisões decretadas pela juíza na véspera de sua morte, seis já foram cumpridas.
Segurança

O "Fantástico" também mostrou a falta de segurança em um Fórum de Justiça no interior do Brasil. Por questão de segurança, o local não foi revelado. Neste fórum, qualquer pessoa pode entrar sem se identificar. Não há vigilantes, detector de metais ou câmeras de monitoramento.
Segundo Henrique Nelson Calandra, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, a "segurança dentro dos tribunais não é assunto que diga respeito somente ao tribunal. Isso diz respeito ao Estado brasileiro. Por isso que nós reinvidicamos uma força policial especificamente treinada para o Judiciário".
O aumento de atentados, intimidações e ameaças contra juízes fez o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão de controle do Judiciário, criar uma resolução em abril de 2010.
No prazo de um ano todos os tribunais, que têm varas criminais, deveriam ter segurança e pessoal treinado, mas até hoje nada foi feito. Segundo o CNJ, pelo menos cem magistrados estão ameaçados de morte. Nos últimos doze anos, quatro foram assassinados.
De acordo com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, "são casos isolados, casos esporádicos. Isso de certo modo explica uma certa omissão e uma certa passividade das autoridades em relação a esses protocolos de segurança. Mas esses últimos fatos tem levado a gente a reconsiderar esse ponto de vista. Senão, nós entraremos num processo de instabilidade na magistratura muito grande".


Fonte: G1

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