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| Ministro Antonio Palocci evita apresentar lista dos clientes da empresa de consultoria |
Brasília (AE) — A crise política que atingiu o homem-forte do governo da presidente Dilma Rousseff ganhou decibéis com a oposição se mobilizando para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os negócios da empresa de consultoria do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.
A intenção é quebrar os sigilos fiscal e bancário da empresa Projeto e verificar se Palocci praticou tráfico de influência. A exposição do sigilo do ministro revelaria contados com boa parte do PIB nacional.
O requerimento avança ainda para um questionamento sobre o papel dele como um dos coordenadores de campanha da presidente Dilma Rousseff ao mesmo tempo em que prosperava o faturamento de sua empresa.
A proposta de tentar uma CPI mista de deputados e senadores sobre o caso surgiu no PSDB, partido da oposição que vinha atuando de forma mais discreta no caso.
Os líderes na Câmara, Duarte Nogueira (SP), e no Senado, Álvaro Dias (PR), conversaram com o presidente do partido, deputado Sérgio Guerra (PE), e decidiram começar as articulações. DEM, PPS e PSOL já manifestaram apoio à ideia.
Duarte Nogueira afirma que a oposição decidiu partir para esta iniciativa diante da ação do governo de blindar o ministro. “Nós, da oposição, fizemos ações em todas as frentes e chegamos ao absurdo de o governo impedir todas as comissões da Câmara de funcionar. Ninguém aguenta mais o silêncio ensurdecedor do ministro e do palácio do Planalto”.
A ementa do requerimento de CPI cita o “extraordinário crescimento patrimonial da empresa Projeto”, pede a investigação se houve “a percepção de vantagens indevidas” ou o “patrocínio de interesses privados perante a órgãos do governo federal” e avança até sobre a possível “relação desses fatos com a campanha presidencial de 2010”.
O líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), destaca as possibilidades que se abrem com a nova estratégia da oposição. “A CPI tem instrumentos que outras comissões não possuem. Podemos quebrar sigilos, obter informações rapidamente do Coaf e da Receita Federal”.
Ele destaca que o fato de o faturamento da empresa ter se concentrado no ano passado faz com que as suspeitas deixem de ser exclusivamente sobre o ministro. “A coincidência do êxito da empresa com o período eleitoral leva suspeitas também sobre a campanha presidencial”.
Para conseguir tirar a proposta do papel, porém, a oposição precisa sensibilizar parte da base aliada ao governo Dilma. São necessárias 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado para o sucesso da empreitada, enquanto a oposição tem menos de 100 deputados e somente 18 senadores.
O discurso para sensibilizar alguns governistas já está ensaiado “Daqui a pouco a crise se agrava de um jeito que pode paralisar o governo. Vamos mostrar para eles que nós queremos que essa crise tenha um fim e que isso só acontecerá se esclarecendo os fatos”, diz o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR).
Procurador-geral pede explicações
Brasília (AE) - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ontem explicações ao ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, sobre o fato de ele ter aumentado em 20 vezes o seu patrimônio nos últimos anos. Gurgel deu um prazo de 15 dias para que Palocci encaminhe as informações.
No ofício enviado à Casa Civil, o procurador-geral não fez perguntas específicas sobre o crescimento do patrimônio. Ele somente pediu a Palocci que esclareça fatos relatados em duas representações entregues na Procuradoria Geral da República por partidos de oposição. Esse é um procedimento padrão quando a Procuradoria recebe representações. Depois de receber as informações de Palocci, o procurador-geral decidirá se vai ou não pedir a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o ministro. Nesta semana, no entanto, Gurgel adiantou que para ele ainda não existiam indícios de crimes praticados por Palocci.
Mas ele disse que analisaria o caso. “Qualquer fato que envolva autoridades públicas merece sempre esse olhar cuidadoso. Agora é preciso realmente reunir as informações para que se possa formar um juízo a respeito”, disse durante a semana.
O ministro-chefe da Casa Civil já foi investigado recentemente em inquérito no STF por suspeita de envolvimento na quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que relatou ter visto Palocci numa mansão em Brasília onde havia divisão de dinheiro. Na época, Palocci era ministro da Fazenda. Mas a denúncia do Ministério Público Federal foi rejeitada pela maioria dos ministros do Supremo.
Ministros fazem defesa do chefe da Casa Civil
Porto Alegre (AE) - Os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do Planejamento, Miriam Belchior, defenderam o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, dos ataques que vem sofrendo da oposição pelo alto faturamento que sua empresa de consultoria obteve durante o ano passado, nesta sexta-feira, em Porto Alegre.
Em rápida conversa com repórteres depois de um almoço com Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, Cardozo sustentou que o governo federal não está blindando Palocci. “Não vi absolutamente nada de ilegalidade ou imoralidade”, destacou, referindo-se às acusações. “Há muita fumaça e poucos fatos colocados”, observou.
Questionado sobre a variação do orçamento de Palocci, o ministro da Justiça reiterou que “o enriquecimento com causa não é punível no sistema brasileiro, o que é punível é o enriquecimento sem causa” e lembrou que “ninguém fez nenhum tipo de denúncia sequer, de afirmação a ser apurada, que não houvesse causa”.
Miriam Belchior também tratou do assunto rapidamente ao final do almoço, afirmando que “o ministro Palocci já deu esclarecimentos, adotou os procedimentos indicados pela Comissão de Ética e agora mandou informações à Procuradoria-Geral da República”.
O requerimento avança ainda para um questionamento sobre o papel dele como um dos coordenadores de campanha da presidente Dilma Rousseff ao mesmo tempo em que prosperava o faturamento de sua empresa.
A proposta de tentar uma CPI mista de deputados e senadores sobre o caso surgiu no PSDB, partido da oposição que vinha atuando de forma mais discreta no caso.
Os líderes na Câmara, Duarte Nogueira (SP), e no Senado, Álvaro Dias (PR), conversaram com o presidente do partido, deputado Sérgio Guerra (PE), e decidiram começar as articulações. DEM, PPS e PSOL já manifestaram apoio à ideia.
Duarte Nogueira afirma que a oposição decidiu partir para esta iniciativa diante da ação do governo de blindar o ministro. “Nós, da oposição, fizemos ações em todas as frentes e chegamos ao absurdo de o governo impedir todas as comissões da Câmara de funcionar. Ninguém aguenta mais o silêncio ensurdecedor do ministro e do palácio do Planalto”.
A ementa do requerimento de CPI cita o “extraordinário crescimento patrimonial da empresa Projeto”, pede a investigação se houve “a percepção de vantagens indevidas” ou o “patrocínio de interesses privados perante a órgãos do governo federal” e avança até sobre a possível “relação desses fatos com a campanha presidencial de 2010”.
O líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), destaca as possibilidades que se abrem com a nova estratégia da oposição. “A CPI tem instrumentos que outras comissões não possuem. Podemos quebrar sigilos, obter informações rapidamente do Coaf e da Receita Federal”.
Ele destaca que o fato de o faturamento da empresa ter se concentrado no ano passado faz com que as suspeitas deixem de ser exclusivamente sobre o ministro. “A coincidência do êxito da empresa com o período eleitoral leva suspeitas também sobre a campanha presidencial”.
Para conseguir tirar a proposta do papel, porém, a oposição precisa sensibilizar parte da base aliada ao governo Dilma. São necessárias 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado para o sucesso da empreitada, enquanto a oposição tem menos de 100 deputados e somente 18 senadores.
O discurso para sensibilizar alguns governistas já está ensaiado “Daqui a pouco a crise se agrava de um jeito que pode paralisar o governo. Vamos mostrar para eles que nós queremos que essa crise tenha um fim e que isso só acontecerá se esclarecendo os fatos”, diz o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR).
Procurador-geral pede explicações
Brasília (AE) - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ontem explicações ao ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, sobre o fato de ele ter aumentado em 20 vezes o seu patrimônio nos últimos anos. Gurgel deu um prazo de 15 dias para que Palocci encaminhe as informações.
No ofício enviado à Casa Civil, o procurador-geral não fez perguntas específicas sobre o crescimento do patrimônio. Ele somente pediu a Palocci que esclareça fatos relatados em duas representações entregues na Procuradoria Geral da República por partidos de oposição. Esse é um procedimento padrão quando a Procuradoria recebe representações. Depois de receber as informações de Palocci, o procurador-geral decidirá se vai ou não pedir a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o ministro. Nesta semana, no entanto, Gurgel adiantou que para ele ainda não existiam indícios de crimes praticados por Palocci.
Mas ele disse que analisaria o caso. “Qualquer fato que envolva autoridades públicas merece sempre esse olhar cuidadoso. Agora é preciso realmente reunir as informações para que se possa formar um juízo a respeito”, disse durante a semana.
O ministro-chefe da Casa Civil já foi investigado recentemente em inquérito no STF por suspeita de envolvimento na quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que relatou ter visto Palocci numa mansão em Brasília onde havia divisão de dinheiro. Na época, Palocci era ministro da Fazenda. Mas a denúncia do Ministério Público Federal foi rejeitada pela maioria dos ministros do Supremo.
Ministros fazem defesa do chefe da Casa Civil
Porto Alegre (AE) - Os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do Planejamento, Miriam Belchior, defenderam o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, dos ataques que vem sofrendo da oposição pelo alto faturamento que sua empresa de consultoria obteve durante o ano passado, nesta sexta-feira, em Porto Alegre.
Em rápida conversa com repórteres depois de um almoço com Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, Cardozo sustentou que o governo federal não está blindando Palocci. “Não vi absolutamente nada de ilegalidade ou imoralidade”, destacou, referindo-se às acusações. “Há muita fumaça e poucos fatos colocados”, observou.
Questionado sobre a variação do orçamento de Palocci, o ministro da Justiça reiterou que “o enriquecimento com causa não é punível no sistema brasileiro, o que é punível é o enriquecimento sem causa” e lembrou que “ninguém fez nenhum tipo de denúncia sequer, de afirmação a ser apurada, que não houvesse causa”.
Miriam Belchior também tratou do assunto rapidamente ao final do almoço, afirmando que “o ministro Palocci já deu esclarecimentos, adotou os procedimentos indicados pela Comissão de Ética e agora mandou informações à Procuradoria-Geral da República”.
Fonte: Tribuna do Norte.

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